Estabelecendo relações contratuais

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Duomo Educação

Postado 03/03/2019

Provavelmente várias vezes você já se frustrou, em pequenas ou grandes doses, quer seja em suas relações afetivas, familiares ou profissionais. Boa parte das vezes em que isso aconteceu deve estar relacionada ao conflito entre o que você esperava da pessoa e o que ela acabou fazendo. Da mesma forma, também você já deve ter tido a experiência de ouvir alguém falar que estava decepcionado com você.

Será que algumas dessas situações não poderiam ter sido evitadas, se as expectativas que um tinha em relação ao outro estivessem mais claras e contratadas?

Acredita-se que, para qualquer natureza de relacionamento entre duas ou mais pessoas, inclusive nas profissionais, há um aspecto que facilita relações saudáveis e produtivas.

Esse aspecto está relacionado ao estabelecimento de relações contratuais. Parte-se do pressuposto de que toda relação inicia-se por um ou mais objetivos que precisam ser clarificados e contratados para que sejam alcançados de forma qualificada.

Quem introduziu o conceito de relações contratuais profissionais foi Eric Berne (1966), o criador da Análise Transacional. Ele definiu contrato como sendo “um compromisso bilateral explícito relacionado a uma linha de ação bem definida”, e que responde a pergunta: “Por que estamos aqui?”.

Para Lames e Jong, “contrato é um compromisso feito consigo mesmo e/ou com outra pessoa para mudar coisas” (Lames e Jonge Ward – Nascidos para Vencer).

Para Krausz (2007), contrato “é fundamental para uma relação saudável, uma parceria e pressupõe um clima de confiança, um diálogo franco e aberto, no qual são estabelecidas as correspondentes responsabilidades dos contratantes que consentem livremente em aceitá-las e cumpri-las, sem constrangimento ou pressão”. Para a autora, um contrato que facilita um relacionamento frutífero por meio de expectativas realistas e definição de papéis minimiza dúvidas que poderiam gerar algum tipo de desconforto. Fazer contratos coerentes, examiná-los, modificá-los e passar para outro problema e outro contrato são sinais de autonomia e maturidade.

Falando de Liderança e Gestão de Pessoas, referimo-nos diretamente a relacionamentos profissionais que acontecem para que objetivos organizacionais sejam alcançados.

Quando se fala em relação contratual no âmbito profissional, seja entre pares ou hierárquicas, não se refere a um documento escrito de validade legal, mas “um acordo, um compromisso de ordem moral e ética entre duas ou mais pessoas adultas, que envolve confiança e credi­bilidade”. É desejado que o con­trato ou acordo tenha o mesmo valor que contratos legais em termos de cumprimento.

Um contrato envolve três requisitos fundamentais:

  • Uma decisão de fazer alguma coisa em relação a um problema ou algo específico;
  • Uma declaração de um alvo definido a ser atingido;
  • Que o alvo definido seja atingido.

 

ASPECTOS DE UM CONTRATO

  1. ADMINISTRATIVOS

São os aspectos negociais do relacionamento profissional: tipo de serviço a ser desenvolvido, se haverá remuneração ou outra forma de reconhecimento, fases, datas e cronogramas, entre outros.

Nesse aspecto, ambas as partes podem decidir e consentir, levando em consideração duração das necessidades, competências profissionais (técnicas e comportamentais) e a legalidade (não contrariar legislações, princípios morais e a ética profissional).

  1. PROFISSIONAIS

Referem-se aos limites da relação profissional e delineiam a área de atuação, metas, objetivos, expectativas de ambas as partes e ainda resultados esperados. Essa relação envolve os profissionais, áreas e a empresa ou organização.

  1. COMPORTAMENTAIS

São questões ligadas a comportamentos e atitudes esperadas e saudáveis para a relação e para os resultados aguardados.

Quando não contratados, po­dem gerar comportamentos ou atitudes inadequadas como a dependência de uma das partes para que o outro “faça por ele”, alguém aceitando tarefas e res­ponsabilidades que não são suas, instalando uma relação de dependência ao invés de cada um usar seu potencial e autonomia no processo rumo aos objetivos a serem alcançados.

Esses comportamentos podem estar relacionados a necessidades pessoais refletidas em padrões de comportamento repetitivos ou não. São formas de funcionamento de cada pessoa para determinadas situações, por insegurança, medo do novo, falta de habilidade, falta de autoconfiança, podendo gerar formas de atuação não produtivas para a relação e para que os objetivos sejam alcançados.

Caso comportamentos não produtivos venham a acontecer, recontratar é o caminho mais adequado.

REQUISITOS PARA UM BOM CONTRATO

Objetivos claros

As informações sobre o objetivo a ser atingido e a forma como será atingido devem ser comunicadas de forma clara, ou seja, sanar qualquer dúvida para que haja consentimento mútuo.

O que se busca deve ser comunicado de forma específica, que possa ser observado, medido ou avaliado, tanto em termos técnicos como comportamentais.

Levantar expectativas

Ter clareza do que cada um espera do processo, em termos de comportamentos, é importante para não gerar futura frustração e falta de motivação para a continuidade do que foi contratado, causando a sensação de injustiças, dúvidas e não cumprimento das necessidades específicas para o que está sendo proposto.

Consentimento mútuo

Para que haja consentimento mútuo, as partes envolvidas precisam ser capazes de especificar aquilo que estão consentindo. Quando uma das partes não tem clareza do que está sendo contratado, pode aceitar algo que mais tarde não cumpra.

DIVISÃO DE RESPONSABILIDADES E LIMITES DE ATUAÇÃO

As condições para que os objetivos sejam atingidos também é algo importante de ser especificado. É preciso verificar o papel de cada envolvido, quem fará o que em quais momentos para que se avalie se o objetivo e a forma de alcançá-lo são viáveis. Pode ser que, ao conversarem sobre esses aspectos, uma das partes perceba que não está preparada para a demanda que está sendo apresentada.

Definir como cada um contribuirá para que o objetivo seja alcançado, os objetivos a serem alcançados e definir responsabilidades também são ações importantes. Além disso, é preciso depositar responsabilidades sobre as partes envolvidas, deixando claro o que cada um vai fazer para que o objetivo seja alcançado. Também é preciso verificar as necessidades de cooperação.

RECONTRATAR SE NECESSÁRIO

Quando um contrato é feito, está prevista a recontratação. Essa questão pode ocorrer quando há mudanças em termos de objetivos e se as formas de atingi-los sofrerem mudanças.

 

O contrato é uma ferramenta que ajuda o gestor a desenvolver uma equipe mais autônoma, já que esse acordo deixa claros os parâmetros e limites de atuação dessa equipe.

 

 Texto por: Ione Nadolny

Texto adaptado do livro: Coaching Executivo – Rosa R. Krausz

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