Mudanças Contínuas

Blog, Transformação digital

Izabele Kutz

Postado 30/01/2018

Por que as mudanças tecnológicas e no mundo do trabalho vem se tornado tão expressivas nos últimos tempos? O que faz com que empresas tradicionais e robustas temam startups com uma dúzia de funcionários?

Podemos pensar que há 25 anos o que tínhamos era um telefone preso numa tomada e com um cadeado, só os mais velhos vão saber explicar porque existia o cadeado no disco do telefone e terão que explicar o disco também, pois os Millennials não fazem ideia do que isso seja.

A partir do momento que o poder de comunicação passou de: extremamente caro que justificava um cadeado para: termos possibilidade de falar DDI (discagem direta internacional) a custo zero, usando a internet, isso fez a interatividade saltar e o poder de cocriação crescer de forma exponencial.

Você já pensou que internet poderia ter sido essencialmente comercial, como um sistema nacional, ao invés de internacional, ou mantida fechada e secreta em vez de pública? Nossa realidade seria outra se o rumo da historia fosse este.

Hoje podemos buscar informações on-line sobre qualquer assunto de qualquer origem e um artigo produzido por alguém em algum lugar do mundo pode gerar insights que poderão ser base para outras invenções em outra parte do mundo. Percebe a poder disso?

No livro Oportunidades Exponenciais, os autores falam que “A inovação ocorre a medida que os seres humanos compartilham e trocam idéias…Esse tipo de troca foi lento nos primórdios de nossa espécie (quando o único meio de transmissão era contar historias em torno da fogueira), acelerou-se com a tipografia e depois explodiu com a representação, a armazenagem e a troca de ideias possibilitadas pelos computadores. Qualquer coisa passível de ser digitalizada pode se disseminar na velocidade da internet.”

O crescimento agora é exponencial e não mais linear. Na progressão linear 1+1 é 2 que com mais 1 vira 3. Na progressão exponencial é uma duplicação composta, 1 se torna 2 que se torna 4, que se torna 8. Para exemplificar, se dou 30 passos lineares, passos de 1 metro, andarei 30 metros, com isso posso ir ao outro lado da rua, se dou 30 passos exponenciais do mesmo ponto de partida, vou me deslocar 1 bilhão de metros, o mesmo que orbitar a terra 26 vezes.

Com esta velocidade coisas muito boas ocorrem, mas outras não tão boas assim, como a propagação de redes terroristas pelo mundo. Seu vizinho, aquele que te sorri gentilmente toda manhã, pode ter sido convertido em um terrorista via internet. Foi este contexto que fez a exército americano criar o termo VUCA para descrever um mundo onde as coisas são Voláteis, Incertas, Complexas e Ambíguas.

Neste mundo complexo e de mudanças exponenciais, empresas lineares estão sucumbindo e dando espaço para empresas exponenciais. Nem todas as mudanças serão bem-vidas por todos, categorias profissionais inteiras poderão desaparecer, novas ocupações surgirão e prosperarão de maneira desigual, o que pode gerar a problemas como o que vimos entre taxistas e os Ubers. A primeira reação pode ser de tentar barrar, proibir como o que ocorreu quando a internet facilitou a copia de musicas e filmes. Hollywood e a industria fonográfica fizeram de tudo para impedir, em vão, o que conseguiram foi transformar os clientes em inimigos. Não há como evitar e se contrapor é um tiro no pé. A solução está em ouvir as tendências da tecnologia, flexibilizar nossas expectativas, regras, produtos e serviços conforme as tendências que forem se mostrando.

Neste contexto da tecnologia, tudo está sempre em processo de transformação, sempre há um upgrade a ser feito, tudo está em fluxo, o eixo central passa a ser a mudança sem fim. Quais são as características que permitem as empresas aflorem neste contexto?

Você já deve ter percebido que uma das coisas que está por traz desta mudança exponencial é a COLABORAÇÃO, sim não temos mais espaço para feudos e competição, brigas de ego e tudo o mais, uma das palavras em voga para sobrevivência é colaboração.

Um estudo, recentemente publicado na The Harvard Business Review, descobriu que “o tempo gasto por gerentes e funcionários em atividades colaborativas cresceu 50% ou mais” nas últimas duas décadas e que, em muitas empresas, mais de três quartos do dia de um empregado é dedicada a se comunicar com colegas. Ou seja, podemos passar todo este tempo em jogos de poder ou podemos passar este tempo construindo algo de forma exponencial através da colaboração. Adivinha qual destes modelos vai ganhar em agilidade e inovação?

“No Vale do Silício, os engenheiros de software são encorajados a trabalhar em conjunto, em parte porque os estudos mostram que os grupos tendem a inovar mais rápido, ver erros mais rapidamente e encontrar melhores soluções para os problemas. Estudos também mostram que as pessoas que trabalham em equipes tendem a obter melhores resultados e a informar maior satisfação no trabalho.”

Mas o que faz com que pessoas trabalhando juntas tenham um alto desempenho? A resposta vem de uma pesquisa da Google. O projeto entitulado Aristoteles pesquisou durante 3 anos mais de 180 equipes da empresa. Uma das hipóteses iniciais desbancadas foi de que uma equipe de alta performance é formada de pessoas de alta performance. O Projeto Aristoteles demonstrou que equipes de alto desempenho são as equipes onde há SEGURANÇA PSICOLÓGICA. Este termo está sendo usado para falar de espaço de conversa onde um membro do grupo se sente tranquilo para arriscar e ser vulnerável em frente dos demais, onde não há medo de se expor, de ser julgado ou ter a idéia ridicularizada.

Adam Kahane, lidou com problemas como a luta contra o apartheid na África do Sul, a guerra civil na Colombia e nas áreas profundamente divididas de Israel-Palestina, entre outros casos de problemas complexos. Ele defende a idéia de diálogos abertos, uma forma aberta de falar e escutar. Expressar de uma nova maneira quem somos e sendo capazes de aceitar o que os outros estão dizendo. Não conversar e não ouvir é algo corriqueiro, também dentro das organizações, os entendimentos já vem prontos, os compromissos por vezes não são mantidos e o resultado é pessimismo, falta de empoderamento, e a inovação fica penosa e lenta.

Segundo este autor, o autoritarismo organizacional produz silêncio e subserviência, seja pela coerção, sedução ou corrupção. Se pensarmos nos termos levantados no projeto Aristoteles, este modelo fechado não permite a Segurança Psicológica.

Para crescer neste ambiente exponencial e de construções coletivas, além de um ambiente onde há segurança psicológica, o profissional precisa agir com autonomia. Para sustentar esta autonomia responsável e coletiva é necessário a CONFIABILIDADE – podemos contar com os outros para fazer um trabalho de alta qualidade e em tempo. Este foi o segundo ponto levantado pela pesquisa da Google para ter uma equipe de alta performance.

A confiabilidade não é obtida apenas pelo simples pedido: confie em mim – ela é gerada em relações de compromisso efetivo, quando o colaborador está compromissado com o time e com o propósito do trabalho, quando vê um significado no que faz. Para ter significado é preciso outra vez a intervenção de um líder que mostre claramente os objetivos, metas, o impacto e o significado daquele trabalho, isso está sendo chamado de ESTRUTURA E CLAREZA.

O treinamento LED – LIDERANÇA EMPODERADORA DIGITAL, tem como objetivo trazer esta perspectiva de mudança para a liderança e levar a compreensão de como o líder pode criar um espaço aberto para que as idéias e a colaboração fluam desimpedidas. O treinamento vai mostrar como empoderar os colaboradores e trazê-los para participarem na busca por soluções. Como o líder vai dar agilidade para os processos, como pode lidar com o risco e com erro. Resumindo, prepará-los para lidar com este mundo VUCA.

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