A importância da eficiência, e do que mais?

Blog, Transformação digital

Tiago Cesario

Postado 13/03/2018

Segundo Aristóteles, ao pensarmos no porquê fazer algo a resposta precisa conter quatro causas:

  1. A causa eficiente – o que inicia o movimento, o agente de transformação
  2. A causa formal – a ideia que governa um acontecimento
  3. A causa material – a substância trabalhada / transformada
  4. A causa final – o objetivo a ser alcançado

Um exemplo clássico é o do escultor (causa eficiente), que trabalha um bloco de mármore (causa material), com o objetivo de fazer uma bela peça de arte (causa final), tendo em sua mente a imagem ideal de uma estátua (causa formal).

O psicólogo e autor James Hillman em seu livro Tipos de Poder, nos chama a atenção para o fato de que na busca incessante por uma maior eficiência em tudo aquilo que fazemos, as decisões que tomamos baseiam-se apenas na causa eficiente, ou seja, no fazer.

Isso fica evidente quando empresas tomam decisões que por exemplo desconsideram os impactos ambientais de suas ações, ou mesmo o desgaste físico e emocional imposto aos seus funcionários (causa material). Ou quando decisões são tomadas sem um objetivo claro, parecendo vazias, apoiadas apenas no discurso de que “temos que fazer, porque temos que fazer” (causa final) e sem um propósito ou ideal a ser alcançado (causa formal).

Isso traz dois problemas. O primeiro é que as decisões tomadas são imediatistas, o impacto das ações tomadas no médio e longo prazo não são levados em conta. E o segundo é que não se leva em conta o impacto nas pessoas e no ambiente, comprometendo a sustentabilidade do sistema como um todo.

Empresas tem tentado balancear isso com ações de responsabilidade social e ambiental. Além disso cada vez mais autores vem falando da importância de se trabalhar o propósito como fator de engajamento de profissionais e atração de clientes. E as novas gerações ao entrar no mercado de trabalho quase enlouquecem as anteriores com suas intermináveis questões sobre o objetivo de fazer aquilo que estão fazendo.

A questão aqui é sermos críticos quanto às decisões que tomamos, e sobre às quais as instituições que fazemos parte estão tomando. Perguntarmo-nos quais são os impactos materiais de minhas decisões? Qual o propósito de fazê-lo? E qual o objetivo de fazê-lo?

Trazer à tona questões que muitas vezes são deixadas em segundo plano, pode não ser tarefa fácil, mas se faz necessário para construirmos algo melhor para nós e para as próximas gerações.

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