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Vamos "mulherar" o mundo

Post Facebook Liderança Feminina IV CopiaPor Mari Martins

Recentemente, explodiram postagens, congressos, textos e depoimentos sobre o empoderamento feminino. Algo que considero positivo, pois assim avançamos na chamada terceira onda do feminismo.

Se por um lado temos esse movimento, não raro ouço de pessoas muito próximas e esclarecidas: "nossa, mas esse conversa é antiga, as mulheres já conquistaram seu lugar ao sol".

Isso é parcialmente verdade, de fato as mulheres representam cerca de 49% da força ativa de trabalho no mundo, segundo dados Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além de serem melhor educadas, representando a maior proporção de formados no ensino superior. Contudo, em cargos diretivos elas representam apenas cerca de 7%, além de recebem 29% a menos que os homens para executarem as mesmas funções, de acordo com uma pesquisa do IBGE.

Na prática, isso significa que os homens estão no comando, detendo poder para direcionar o andar da carruagem segundo o seu modelo de mundo, valores, qualidades e energia masculinas. O físico e teórico, Fritjof Capra, escreve em seu livro “O Tao da Física” sobre as características que chamamos de masculinas. Estas podem estar presentes tanto em homens e mulheres, porém carregam em si signos positivos construídos culturalmente. Por isso, vemos em empresas muitas alta executivas que adotam o modelo masculino em busca de aprovação.

Isso acontece quando sociedades emergem do machismo. Machismo é quando alguém acredita que o homem é mais capaz que a mulher, simplesmente por ser homem. Um bom exemplo aparece no filme “Jogo da Imitação”, quando Joan Clarke chega para fazer a prova que escolheria os melhores tacógrafos dos Estados Unidos e o atendente a direciona para o andar superior onde estava acontecendo a seleção para secretaria. Na cabeça dele, não era possível que uma mulher pudesse se candidatar para uma vaga tão desafiante.

O que estou buscando apontar é que candidatos podem ser escolhidos independente de seu gênero. O que não acontece e vem se repetindo, principalmente na alta liderança.

Essa ideia vai se construindo à medida que os aspectos relacionados ao masculino são mais reforçados na nossa cultura. E isso chega às empresas.

A transformação real acontecerá na dialética entre o coletivo e individual.

“De um lado precisaremos pensar em políticas que possam dar conta dessa nova realidade. Por outro a mulher precisa resgatar o seu poder, se fortalecer e empoderar a partir do próprio referencial feminino, incluindo caracteristicas comuns entre homens e mulheres e relacionadas à essencia feminina, tais como colaboração, empatia, dialogo, intuição, amorosidade.
Vivendo em um mundo no qual o masculino é tão reforçado, é comum às mulheres perderem de vista sua essência e fé na sua capacidade.

Recentemente, uma amiga consultora me contou que participava de uma reunião com um cliente e outro consultor, estava muito tranquila, sem se preocupar com autoafirmações. “Não me dei conta de que precisaria ter uma atitude mais afirmativa”, me falou. “Me senti acuada quando um profissional de outra empresa começou a se comportar como uma pavão, ou seja, super atuou e roubou a cena", completou.

Veja bem, os homens vão roubar a cena se deixarmos. Mulheres precisam saber se impor! Acreditar que o seu jeito funciona, fazer um convite para uma atuação colaborativa, na qual todos saíriam ganhando, cliente e parceiros.

Essa imposição pode ser feita com assertividade e empatia, colocando força e leveza em coexistência. Dessa forma teríamos uma sinergia pra lá de produtiva.

À proposta da terceira onda do feminino, juntos teremos mais efetividade e afetividade no mundo.

Esse pode ser um jeito de "mulherar" o mundo.

Quer saber mais sobre o programa de liderança feminina da Duomo Educação Corporativa? Entre em contato conosco!

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Referência bibliográfica: O Tao da física: uma análise dos paralelos entre a física moderna e o misticismo oriental (Fritjof Capra)