O segredo dos empreendedores de sucesso

No ano de 1982, iniciou-se uma pesquisa comandada pelo psicólogo David McClelland (Universidade de Harvard), que teve como objetivo a identificação das características dos empreendedores de sucesso. O estudo demorou três anos e foi realizado em 34 países. Pesquisa semelhante foi divulgada através do livro "A Lei do Triunfo", escrito por Napoleon Hill. O autor pesquisou o hábito de pessoas de sucesso, durante vinte anos. As duas pesquisas possuem algumas semelhanças em suas conclusões. Talvez a mais marcante tenha sido a de que pessoas de sucesso, seja profissional ou pessoal, acreditam que elas foram as principais responsáveis por tudo que lhes acontecem.

A princípio, esta crença não parece ser inusitada. Entretanto, quando ficamos mais atentos ao discurso da grande maioria das pessoas, ao falarem sobre fatos que ocorreram em suas vidas, percebemos que, via de regra, a "culpa" dos acontecimentos é sempre externa. Assim, o empreendedor atribui sua falência "ao mercado".

As dificuldades financeiras são responsabilidade exclusiva "do governo". Nossa desmotivação profissional tem sua origem justificada "na empresa". "Meu chefe pega no meu pé porque ele é um chato". E assim prossegue: "foi Deus que quis assim", "deve ser carma", "isto é olho gordo". É claro que somos muito influenciados pelos agentes externos, ou meio ambiente onde estamos inseridos. Mas é muito cômodo jogar sempre a culpa pela forma como está nossa vida no primeiro bode-expiatório que for possível. Assim podemos preservar nossa vaidosa auto-imagem de seres perfeitos (curiosamente, poucos atribuem a fatores externos a razão de seus êxitos).

Ora, se os agentes externos fossem os únicos responsáveis pelas adversidades ou sucessos da vida, poderíamos supor que todos os que estão submetidos a esses agentes teriam o mesmo resultado! Por exemplo, se o mercado ou governo foram os únicos responsáveis pela falência de meu negócio, como posso explicar que muitos dos meus concorrentes estão sobrevivendo frente à crise? Na certa, as pessoas reagem de formas diferentes diante das mesmas variáveis que o meio nos impõe, e esta reação definirá as respectivas conseqüências. Assim, vivemos as conseqüências das escolhas que fizemos em nossas vidas, ainda que não tivéssemos consciência destas conseqüências. Somos livres para discernir nas escolhas, mas prisioneiros das conseqüências de nossas decisões.

Diante desta constatação, você pode pensar de duas formas. Uma é continuar se vendo como uma vítima azarada, um náufrago à mercê da direção dos ventos.

A outra é pensar que você está onde se colocou, e compreender que pode pegar no leme e, mesmo em águas intranqüilas, definir o rumo. Dê uma parada agora e reflita:

Que coisas da minha vida estou buscando justificar, colocando a responsabilidade em algo ou alguém?

Você deve estar se perguntando: "Qual é a vantagem de me responsabilizar por tudo o que acontece comigo? Só para me sentir culpado? Já não basta a frustração a qual nos deparamos diariamente?" Na verdade, o sentimento de culpa de nada ajuda. Ter consciência de que minha vida está como eu a deixei, deve despertar outro sentimento: de que eu tenho poder para conduzí-la como eu desejo. Ora, se "jogo" a responsabilidade para fora de mim, então não há o que fazer... Fico impotente para mudar as coisas, pois não depende de mim... Líder de si: você está onde se põe.

*Por Joacir Martinelli