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O lugar da vida que podemos nos dar

 Por Mari Martins

Extraído de http://www.portalmulherexecutiva.com.br/o-lugar-da-vida-que-podemos-nos-dar-20805

 

Há dez anos mudei de endereço, deixei para trás casa, empresa, toda a minha família e amigos conquistados ao longo de uma caminhada de quatro décadas. O final de um casamento. O fechamento de um ciclo.

Na época, eu me lembro de um cliente perguntando: não está bom aqui? E eu respondendo: Está bom, e acredite, é mais difícil mudar do bom para o ótimo do que do ruim para o bom. Quando está ruim parece existir uma força que nos expulsa do poço.

Parti para a viagem que mudaria a minha vida.

O que eu trazia? Esperança. Esperança de uma vida melhor e a certeza do que era verdadeiramente significativo de outros lugares vividos, estaria comigo para sempre.

Ao chegar aqui, conheci a Dione entre tantas pessoas queridas, ela me abraçou, me acolheu, amenizando as dúvidas, dores e os medos. E olha só, no ano passado ela me presenteou com o livro: “A vida que ninguém vê”, de Eliane Brum, uma cronista que relata os acontecimentos de pessoas que não viram notícias, não são celebridades. Os textos revelam o extraordinário de tantas vidas comuns, cotidianas, conhecidas por todos nós. O que mais me chamou a atenção desse livro, foi o olhar da Eliane, de conseguir dar um lugar para as pessoas que na vida prática são excluídos e massacrados pela dura realidade na qual vivem. Ela se recusa a vê-los como vítimas.

Esse é em parte muito do nosso trabalho de desenvolvimento, de ajudar a pessoa a se enxergar como protagonista, avaliar o seu campo de possibilidades e encorajá-la a ter energia, entusiasmo e estratégias para se construir uma pessoa e vida melhores.

É sabido que a maioria das pessoas, diante de uma situação de fracasso costuma terceirizar a responsabilidade dos resultados obtidos. Apesar de uma minoria, algumas pessoas, fazem uma avalição realista da situação, identificam os fatores externos que influenciaram e principalmente fazem uma análise minuciosa e humilde de como suas atitudes, comportamentos e escolhas contribuíram com tal resultado.

Quando li os textos da Eliane fiquei muito tocada. A ideia de que pessoas com uma vida difícil conseguiriam conquistar um lugar que dessem dignidade a elas, fez com que eu reforçasse o senso de responsabilidade de fazer o melhor por mim, numa luta incansável e suave, sem peso, apenas com o entendimento de construção, evolução e aprendizagem, e a clareza do quanto o meu trabalho pode enriquecer a vida das pessoas.

A nossa mente tende a julgar os acontecimentos como bons ou ruins, mas na realidade eles apenas são. Em cada um deles podemos nos beneficiar quando lidamos com mais objetividade, entendendo a oportunidade para usufruir ou aprender.

No papel de coach tenho a oportunidade de caminhar lado a lado de pessoas e assistir mudanças, compartilhar um pouco da vida, sofrimento e esperança de muita gente. Os processos de transformações mais profundos e reveladores são aqueles que a pessoa assume a postura de protagonista, mergulha no seu autoconhecimento, tem a humildade de reconhecer suas dificuldades, deseja a mudança, esperança por algo melhor e tem disciplina para colocar em prática as ações necessária.

Quando olho para essa construção e a parceria com o outro para promover crescimento penso que encontrei o meu lugar na vida e isso me faz sentir plena.

Quando compartilho essa experiência com pessoas que têm essa mesma sensação percebo algo em comum, a capacidade de valorizar suas próprias conquistas internas e externas e uma ruptura com os modelos estereotipados de felicidade atrelados ao sucesso, riqueza e beleza.

São histórias de pessoas reais.